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Se conseguir deixar de lado as recordações do calor infernal, da espera interminável e do abundante serrim colorido (que o vento insistia em trazer, sorrateiramente, para os meus olhos desprotegidos), talvez até conseguisse desencantar umas memórias positivas sobre a festa de S. Pedro aqui de Valbom, não fosse o nada irrelevante facto de eu, pura e simplesmente, detestar Valbom.

Sábado à noite, sei lá porquê, concordei ir com o meu primo lá baixo (à Ribeira d’Abade) comprar farturas aqui para as companhias do momento (quatro sujeitas: sexo feminino, faixa etária 44-70), para tomar com café no jardim. Para quem não sabe, a minha casa fica em frente ao Rio mas, de certa forma, no cimo de um monte… Ou seja, desce até ao rio… e depois sobe tudo outra vez! A pé.

Escusado será dizer que, na tarde seguinte, repeti a peripécia, desta feita com o sol a brilhar lá em cima, pelo que julgo ser pura estupidez: olhando para trás, não há outra razão para eu ter seguido o povo para baixo, sabendo que iria voltar a ter que subir, para além de uma terrível falta de discernimento… Não há.

Domingo à tarde, a Procissão de S. Pedro saiu da capela de S. Pedro (quem diria?), atrasada como deve ser tradição, e andou a passo de caracol, com todos os ajudantes a distribuir água pelos participantes, fossem eles os indivíduos que carregam os santos, as crianças vestidas com mantas horrorosamente compridas, ou aqueles que vão lá e eu ainda não percebi a fazer o quê!

Bem podiam mudar a tradição e começar a fazer a procissão durante a noite. É que nem é por nada e até me era mais difícil tirar umas fotos, mas com o clima que já se instalou em Portugal, onde vivemos entre o extremamente frio e o perigosamente quente, daqui a uns anos vemos uma criança a desmaiar no meio da passadeira e a desaparecer debaixo daquele veludo todo! Ah, mas e mesmo assim, se algo acontecer, será, com certeza, graças a Deus. Ou não, esqueci-me! Graças a Deus só o que é bom. Peço perdão. Às vezes, só às vezes, também me engano…

Mas nem tudo são mágoas, como se diz por aí. Com a cota paga mensalmente aqui pelo povinho, a nossa quase remodelada Ribeira d’Abade ainda teve direito a dois fogos de artifício (que não posso julgar, pois só assisti à metade de cima do primeiro) e recebeu artistas que, tenho a certeza, tivesse eu ficado a ouvir, ao invés de fugir do meio do povo como o Diabo foge da cruz, teria tido o privilégio de ouvir uma cover super original de uma música do Tony Carreira que estava mesmo a começar.

Mas pronto, vamos ver o lado positivo do acontecimento: vi o Bruno e disse ‘Olá’ à Rosa.

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